quarta-feira, 22 de junho de 2016

é sagrado

Te escolhi pra ficar
Te olhei e não pude negar
Sua alma era como a minha,
triste e sozinha.

Eu penso em você sempre
como amor e como amigo
como um filho e um precipício
do qual não quero escapar.

Eu preciso ir pra me reencontrar
queria te fazer entender:
Vou, mas não te abandono.

Te abraço na tentativa de permanecer
mas já não posso ficar,
só posso dizer que as lágrimas que me escorrem
queriam poder te confortar.


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Chuva

Terça lavei roupas. Coloquei-as no varal e esperei que secassem.
A chuva, no entanto, veio com força.
Choveu, depois parou, as roupas quase secaram, mas eis que chove novamente.
Elas sempre na iminência de secarem, a chuva sempre no tempo certo de impedi-las.
Me sinto como minhas roupas, penduradas, na expectativa de serem recolhidas quando prontas.
Acontece que não basta estar lavada, pendurada e esperar.
A chuva vem, o raio caí, não se importando se as roupas estão quase secas, não se importando com o trabalho do sol ou da máquina de lavar.
Assim, a chuva faz com minhas roupas o que a vida faz comigo.
Sempre com todos os passos cumpridos, sempre traída pelo destino.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Me programo
Traço prazos
Perco dias na minha cama
E tudo que eu faço
é nada.
E tudo que eu quero
é morte.
Mas para isso não há prazos
Não há dia ou programa.
Assim como esse poema, que vem quando quer e me obriga a escrevê-lo.
Assim como a vida, que acontece e me obriga que eu a viva.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Ausente companhia

dia 4 vai fazer um mês que meu avô morreu
o que é um mês na vida de uma pessoa?
Em 4/11, alguém imaginava que ele fosse morrer?
A ausência é tão presente que não há um momento que eu não me lembre dele
nossas diferenças sempre foram tão grandes.
Ele morreu sem saber que eu sou lésbica.
Ele não sabia quase nada de mim. Mas me amava. Ou por isso me amava?
Por não saber quem eu sou?
O tempo passa de uma maneira dolorosa, parece que faz muito tempo que meu avô morreu. Mas, na verdade, não faz nem um mês.
Todavia, esse pouco tempo se pensarmos em dias, é um tempo danado quando sentimos.
Eu sinto essa ausência no meu peito, mas eu sinto tanto, que é como se você estivesse presente.
Como se fosse tudo um pesadelo, como se a qualquer momento eu fosse acordar, e ir na sua casa tomar café e discutir política e reclamar do seu falatório, enquanto espremo seus cravos.
As vezes, sinto que eu poderia ter feito algo, poderia ter mudado os rumos...mas não há caminho que engane a morte.
Eu nunca vou esquecer aquele dia na UTI, nunca vou esquecer a força que tive - ou forjei ter -  na esperança de que você me ouvisse e ficasse bem.
E sempre que colocar aquela minha jaqueta jeans que você vestiu e que foi a última vez que você -ainda consciente -  me viu, vou lembrar daquele dia, das nossas palavras trocadas, da porta que eu fechei, quando você se sentou no carro.
Eu ainda não consigo acreditar, fico, como nunca, desejando uma máquina do tempo que nunca chega... só chega a tristeza, e essa, é minha eterna companhia..

terça-feira, 10 de novembro de 2015

natimorto

são 4:01 da manhã
estou estudando, estou ouvindo música, estou flertando.
eu não tenho estudado
eu tenho ouvido pouca música
eu tenho flertado demais

curiosamente, o que eu mais faço é o que menos gera frutos
minha lida tem sido uma primavera em que não há flores
só projetos de vida que nunca nascem
um outono constante, onde as folhas caem,
embora eu ache que elas estão florescendo

que destino é esse, que promete, mas não cumpre?
cumpre?
por acaso é obrigado a atender nossos desejos ?
Mas não seria, posto que em mim constrói esses sonhos?

são 4:05 da manhã
nenhuma dessas questões foram respondidas
a música acabou, o texto ficou por ser escrito
o alvo do flerte foi dormir

e a a ausência de frutos, fez rugir a fome no meu estômago
que assim como meu coração, está vazio
que como minhas mãos, se aproximam, mas não alcançam,
como meus amores, que morrem, antes mesmo de serem.


domingo, 30 de agosto de 2015

A dor da gente não sai no jornal

Hoje eu precisei tanto de um abraço. Que não chegou. Precisei encontrar palavras doces pra ver se voltava acreditar em que eu sou. Deve ser difícil pensar que preciso de palavras doces pra isso. Mas num mundo em que nossa existência é cada vez mais ceifada, somente as palavras doces e os atos de amor podem me lembrar de quem eu sou. Quero viver num mundo em que existir não seja motivo de dor.

domingo, 30 de novembro de 2014

Dois

Certa vez uma amiga me disse:
- melhore suas rimas!
Ela tinha mesmo razão,
usar verbos conjugados
era mesmo cafona.
Afinal, de que serve uma rima
palavra - par
quando o que quero falar
é de uma vida ímpar ?

Portanto, resolvi tentar, só escreveria
sem métrica, sem rima
só faria versos livres
e os versos com toda a liberdade que eu não possuía
te diriam:
hoje eu sou só
no entanto, queria
que estivéssemos:
nós.

a sós.