segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Corpos trocados

Eu sinto o peito vazio
Eu sinto a cabeça cheia
Bebo uma cerveja
E o corpo se reequilibra

Sorriso amarelo
Cigarro apagado
Frio na cama
Solidão na alma

Bate meu coração
No teu peito
Corre teu sangue
Pelo meu corpo.

Encontros [Senti]Mentais

É tarde, eu sentada na cama tendo o sol, que ilumina meus escritos, por testemunha. Como no famoso livro que descreve a trajetória do talentoso Ripley. A diferença é que não há crime algum, ao menos, por enquanto.
Estava buscando inspiração, mas acho que inspiração vem, é um movimento, assim como a respiração. Toma posse do corpo e expressa.
"É o pau, é a pedra"  mas há o que, além disso ?
Como um sonho de valsa e digo ... digo nada, penso em tudo, lambo os dedos e por fim, escrevo:
Dentro deste quarto os dias são longos, quase entediantes. A janela está escancarada, mas suas grades cumprem sua função. Eu estou presa aqui dentro, você talvez esteja preso lá fora. E o mesmo sol nos ilumina, mas para mim, as grades fazem com que o sol também esteja preso. Você poderia dizer para que eu saísse desse quarto, que por ser tão iluminado, está cheio de sombras. Se eu ao menos te conhecesse, se você soubesse que eu existo. Falar para alguém que não se conhece e que nem sabe que você existe parece loucura. E talvez seja só isso, loucura. Ou então, um pouco de clichê.
Você está andando pelas ruas, e eu, me revirando na cama. Mas, por um momento, sinto nossos pensamentos se cruzarem. Aí reside toda a mágica, porque neste instante você sente a mesma coisa que eu. Primeiro sorrimos, com um semblante de delírio.  Afinal, é assustadoramente maravilhoso.
Talvez, semana que vem,  te encontre no cruzamento daquela movimentada esquina. Mas isso é pra semana que vem. Agora fico em silêncio, para sentir e para que sintas.
Voltamos a sorrir. E nesse momento, nos amamos.

Medo de sonhar

Querer escrever e não conseguir. Isso é sinal de ausência do que dizer ou incapacidade pra comunicação ? Tive sonhos estranhos, trazendo a vista vários ambientes da minha infância, me levando diretamente a cidade natal. Talvez, mostrando que por mais que eu fuja de lá, indo pra novas cidades, não visitando os meus, ela ainda estará em mim e voltará, ainda que em um sonho. Um sonho, sempre quando falo em sonho penso naquilo que se deseja mais profundamente. Será que meu desejo mais profundo é voltar pra minha cidade, andar de moto e assistir a um baile de oficiais, que foram pra guerra, esperando um pretendente ? Será que no fundo só quero ter uma vida comum, igual a da minha avó ? Ou será que na verdade são só lembranças e imaginação que estão ali na sua cabeça (na minha) e resolvem brincar um pouco ? Freud inventou de meter o bedelho onde não era chamado, agora eu fico esperando uma resposta a cada noite (não, eu não durmo sempre nelas.) . E em algumas, tendo muito medo de dormir. Será que medo de descobrir alguma coisa ? De repente se abate sobre mim toda uma reflexão, minha vida vai se desmontando, como se não tivesse nada de verdadeiro. Como se a cada momento que eu construo algo, esse algo se revela não meu. Ou melhor, a cada dia traço planos e durante uma noite de sono, descubro que, na verdade, só quero voltar pra casa e me casar com um homem da sociedade que encontraria num baile do grêmio, e visitar a minha avó, nos domingos após a missa. Eu uso muito 'na verdade', mas acho que nada é muito verdadeiro. Talvez, só essa saudade aqui no meu peito, a vontade de me deitar no seu colo e, a partir dai, dormir sem medo.