domingo, 30 de novembro de 2014

Dois

Certa vez uma amiga me disse:
- melhore suas rimas!
Ela tinha mesmo razão,
usar verbos conjugados
era mesmo cafona.
Afinal, de que serve uma rima
palavra - par
quando o que quero falar
é de uma vida ímpar ?

Portanto, resolvi tentar, só escreveria
sem métrica, sem rima
só faria versos livres
e os versos com toda a liberdade que eu não possuía
te diriam:
hoje eu sou só
no entanto, queria
que estivéssemos:
nós.

a sós.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

não há mistério


O mundo dela é uma grande quadrilha, dessas de festa junina, em que dado momento, alguém sempre vai dançar com o par do outro. Digamos que no mundo de Vivian, a  parceira de Felipe mora com Bruno. Bruno quer ser par de Vivian. E ela, por sua vez, já é par de Felipe. Rafael, que é par de Vivian também, divide casa com Felipe. Vivian é desejada por esses três homens e é desejada também por Evandro, que tem uma ex-namorada que impede que ele esteja mais presente na vida de Vivian.
Alguém diria: "não há porquê essa garota se queixar, há vários que a querem." No entanto, apesar de todos esses homens em sua cama, eles nunca estão por inteiro para ela, sempre há uma atual ou ex-namorada, uma amizade mais importante, ou um discurso de liberdade, que na verdade, só serve para mantê-la de estepe. Nunca alguém disposto a se comprometer com ela, a se doar da maneira como ela se doa pra cada um deles. Novamente, alguém diria: "quem se doa para tantas pessoas, não se dá à ninguém". Todavia, esse era mais um ato desesperado dessa menina. Que tenta demais, não se pode negar. Mas que já está cansada de tanta coisa "errada", de se perder, sempre nas mesmas histórias. E isso não muda, mesmo quando fica com meninas, assiste ao mesmo enredo, num looping eterno. Mesmo que ela não saiba, e não se canse de ter esperanças, o final já está dado.

Seu destino era esse: ser só, numa multidão de amores.


sábado, 21 de junho de 2014

das pequenas dores diárias

Avô e neta falam sobre política.
O avô, indignado com a postura política de sua neta, diz:
Como assim você vai votar na Dilma ? Ela é sapatão.
A neta, engole em seco, e ensaia uma resposta. Tenta justificar que isso não tem nada a ver, e sequer faria diferença se, de fato, ela fosse. Mesmo elencando diversas melhorias sociais conquistada pelo governo e criticando algumas falhas, especialmente ligadas aos direitos humanos, o avô não se convence. E nem se importa muito com os tais direitos humanos, afinal, o que é importante de dizer, para ele, é sobre o bando de vagabundos do bolsa família ou as diversas formas de corrupção.

Como votar num partido que quer destruir a família; que rouba; como votar numa sapatão ? ele dizia, totalmente alterado.

A neta gostaria de dizer à ele que essa tal família, por ele defendida, há muito estava destruída. Mas não era por causa de vagabundos, de partido político ou homossexuais. Mas exatamente por pessoas como ele, os tais cidadãos de bem, que pregam tanto uma ordem, uma família tradicional, o respeito e, no entanto, são incapazes de amar os seus e suas diferenças, de olhar o próximo como alguém detentor de dignidade.

Momentos antes da discussão sobre política ele disse que ela era sua neta preferida, a número um.

Diria ele o mesmo se soubesse de sua orientação sexual ?


sexta-feira, 25 de abril de 2014

sentir

Estive pensando sobre estar aqui, sendo lida por pessoas que sequer me conhecem, mas sabem de histórias que mesmo pessoas próximas a mim, não ousam imaginar.
Fiquei pensando qual a impressão que passo para quem me lê. Andei relendo textos e parece que sempre escrevo pra mesma pessoa, que minha vida amorosa sempre termina em tristeza, e que eu nunca sei como agir.
Eu tinha vontade de escrever sobre várias coisas, fazer com que os outros fossem capazes de sentir alguma coisa ao ler. Mas parece que minha vida anda em círculos, em que há um ciclo, ilusão e desilusão, amor e medo.
Não sei como continuar, parece que tudo que eu disser aqui, será clichê. Ao menos, após essa páscoa que, pela primeira vez, não foi um evento familiar, posso dizer que, finalmente, pude entender diversas coisas, que faziam com que eu desse voltas e voltas e chegasse sempre ao mesmo lugar.
Tudo é culpa da maldita ansiedade, da maldita vontade de viver algo especial, da maldita vontade de querer encontrar alguém com quem se possa compartilhar. Isso não significa amarrar alguém a relações já tão tradicionais, mas não se poupar do que fizer sentir. E não ter medo de viver para além das ideologias.



https://www.facebook.com/musculozine/photos/a.284360328377946.1073741828.267523333394979/292024814278164/?type=1&theater


http://letras.mus.br/elis-regina/91036/

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ficado lá

É corriqueiro na minha vida. Sempre estou cheia de vontade de dizer coisas, mas me falta coragem para enviar as mensagens. E quando há coragem, logo depois, sobra arrependimento e culpa.
Eu estava ouvindo músicas no youtube quando o vídeo de um cantor que você me mostrou apareceu como recomendado. Veja bem, que ironia!  Um cantor que você me mostrou surge como recomendação, bem agora, que você se distancia de mim e que eu, imagino, já não sou uma recomendação para você.
Estou louca pra te dizer que ouvi a música e senti tua falta. Porém, fico ouvindo vozes da minha consciência- e acho que estou certa de fazê-lo- e elas me dizem: chega!
Já me mostrei aberta para você, já tentei me reaproximar. Eu realmente sinto falta dos teus beijos, das tuas risadas, dos teus cabelos e cílios. Queria te abraçar... mas me lembro que não dá.
Eu estou aqui.






sábado, 15 de março de 2014

Qualquer dia a gente se vê ?

Nunca havíamos brigado. Começávamos o quinto ano de amizade, e nunca houve uma briga, óbvio que discutíamos, mas sempre tudo terminava bem, entre risos e brincadeiras.
A nossa convivência era deveras intensa, passávamos semanas inteiras juntos, dormíamos no mesmo quarto e, às vezes, na mesma cama. 
Você era tudo que eu gostaria de ser: bonito, divertido, inteligente, querido por todos, parecia o homem mais feliz do universo. Era assim como eu te via. Não sei como você me via, mas sinto que gostava de mim. 
Mas eu, ao tanto te idealizar, cometi um erro perigoso. Estar perto de você, ao mesmo tempo que me fazia bem, me fazia mal. Era como se no nosso encontro ficasse mais evidente a nossa distância, aquilo que eu jamais seria, e ao mesmo tempo, era quando todas as minhas qualidades se potencializavam. 
Ontem, após algumas doses a mais de vodca, finalmente te falei isso tudo. De como eu me sentia uma bengala para você. Fui injusta, confesso. Nesse tempo todo houve um apoio tão mútuo entre nós. E você, colocou em dúvida todo o meu sentimento, toda a nossa relação. Estávamos deitados na mesma cama, mas nunca me senti tão distante de alguém quanto naquele momento. 
"Nos afastaríamos", era seu veredito! Era tudo que eu não queria. 
Eu precisava aprender a me amar, para perceber que mereço o teu amor.
E ver que há muito mais semelhanças que nos unem, que diferenças que nos segregam. 
Você disse também que nada será como antes, foi imediato a associação com a música. Pode ser que nada seja como antes, e de fato, tudo muda a todo momento, mas espero que um gosto de sol ainda resista, e não só o sabor do fracasso, que eu sinto de novo. 

Ontem a noite, mais uma vez, dormimos na mesma cama. Infelizmente, um de costas pro outro.



terça-feira, 4 de março de 2014

Sem poesia

Dia desses, Henrique me contou que havia chorado ao assistir um seriado, pois, sabia que jamais teria uma vida como a das personagens da série. Obviamente, havia um pouco de exagero na fala dele, pensava eu. 

Hoje, eu estava vendo vídeos aleatórios no youtube, e me deparei com um episódio de um seriado qualquer. E cai em lágrimas, ao assisti-lo. Pensei exatamente a mesma coisa que ele: eu jamais teria uma vida como a das personagens, nunca uma história como aquela aconteceria comigo. No entanto, me identifiquei profundamente com uma das protagonistas e com sua busca, e não consegui entender porquê não alcancei, até então, o mesmo desfecho. 

O que falta para que tenhamos a vida que queremos ter ?

Me surge uma resposta, de uma crônica já antiga, todavia, extremamente cabível - e dolorosa- pra esse caso:

"É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele." *

As palavras de Clarice são cortantes como um punhal cravado no peito, mas ao invés de sangue, o que escorre, após a leitura, são lágrimas.

Ao fim de tudo, após lágrimas, músicas e lembranças, penso que esse sentimento de impotência, perante a vida e o próprio destino, é apenas carência e uma vontade de encontrar um amor tranquilo, mesmo que isso signifique a perda de toda a poesia, que só os amores impossíveis e vorazes nos proporcionam.


* Perdoando Deus, Clarice Lispector, 19/9/1970.

Trilha sonora para o texto:
http://www.youtube.com/watch?v=prwDgGYFTxc

http://www.youtube.com/watch?v=DGh0FLLqy48

http://www.youtube.com/watch?v=vSY8xSrymnM

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

E precisamos todos rejuvenescer

Hoje é dia 30 de janeiro de 2014.
Amanhã é minha colação de grau.
Depois de 4 anos, finalmente, me formo.
Fiquei pensando em tudo que se passou nesse tempo, no quanto eu cresci, no tanto de coisa errada que fiz, e nos acertos, que apesar de raros, foram estimulantes, fizeram com que quisesse seguir em frente.
Entrei com 17 anos, saída de uma cidade de interior pra uma outra cidade de interior. Com uma única diferença, aqui era eu quem decidia tudo, era eu que escolhia pra onde ia e com quem ia. Eu podia, a partir de então, ser eu. Mas o que é ser sujeito de sua própria vida ? Era eu realmente sujeito da minha vida ?
Naquele primeiro ano, ainda muito imatura, eu acreditava que sim. Hoje sei que não, mas sei que foi dali que tudo começou, que eu pude construir quem eu viria a ser. Daqueles erros que só a inexperiência misturada com a insegurança nos proporcionam.
Por sorte, não fiz isso sozinha e olhando pra esses quatro anos, vejo que os amigos foram muitos. Poderia começar descrevendo um por um, no entanto, estaria sendo injusta com a personalidade de cada. Sei que carrego um pouco deles todos e quando sinto saudade é só remexer um pouco nas lembranças para sentir cada momento, de novo. E foram tantos.
Sempre diziam pra aproveitar a faculdade, porque passa voando, porque é a melhor época da vida. E de fato, passa voando. Quanto a ser a melhor, ainda não sei, só sei que foi o período em que mais estive aberta ao mundo e ele a mim.
Hoje eu tenho 21 anos, mas é como se eu tivesse nascido em 2010. Foram 4 anos de graduação, e é com essa idade que me sinto. Sou uma criança que engatinhou bastante, levou vários tropeços, bambeou muito as pernas antes de andar, mas que agora consegue caminhar a passos plenos, e que, ao contrário da pessoa da vida anterior, já sabe qual o sentido que quer dar ao seu trajeto. E tem a coragem de renascer, por mais doloroso que seja o processo de aprender a andar pelas próprias pernas. Que a sorte continue companheira, assim como os amigos queridos.
As lágrimas escorrem pelo rosto e se misturam num sorriso de satisfação.

https://www.youtube.com/watch?v=Dv6IkNTfOro