terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Ausente companhia

dia 4 vai fazer um mês que meu avô morreu
o que é um mês na vida de uma pessoa?
Em 4/11, alguém imaginava que ele fosse morrer?
A ausência é tão presente que não há um momento que eu não me lembre dele
nossas diferenças sempre foram tão grandes.
Ele morreu sem saber que eu sou lésbica.
Ele não sabia quase nada de mim. Mas me amava. Ou por isso me amava?
Por não saber quem eu sou?
O tempo passa de uma maneira dolorosa, parece que faz muito tempo que meu avô morreu. Mas, na verdade, não faz nem um mês.
Todavia, esse pouco tempo se pensarmos em dias, é um tempo danado quando sentimos.
Eu sinto essa ausência no meu peito, mas eu sinto tanto, que é como se você estivesse presente.
Como se fosse tudo um pesadelo, como se a qualquer momento eu fosse acordar, e ir na sua casa tomar café e discutir política e reclamar do seu falatório, enquanto espremo seus cravos.
As vezes, sinto que eu poderia ter feito algo, poderia ter mudado os rumos...mas não há caminho que engane a morte.
Eu nunca vou esquecer aquele dia na UTI, nunca vou esquecer a força que tive - ou forjei ter -  na esperança de que você me ouvisse e ficasse bem.
E sempre que colocar aquela minha jaqueta jeans que você vestiu e que foi a última vez que você -ainda consciente -  me viu, vou lembrar daquele dia, das nossas palavras trocadas, da porta que eu fechei, quando você se sentou no carro.
Eu ainda não consigo acreditar, fico, como nunca, desejando uma máquina do tempo que nunca chega... só chega a tristeza, e essa, é minha eterna companhia..