sábado, 21 de junho de 2014

das pequenas dores diárias

Avô e neta falam sobre política.
O avô, indignado com a postura política de sua neta, diz:
Como assim você vai votar na Dilma ? Ela é sapatão.
A neta, engole em seco, e ensaia uma resposta. Tenta justificar que isso não tem nada a ver, e sequer faria diferença se, de fato, ela fosse. Mesmo elencando diversas melhorias sociais conquistada pelo governo e criticando algumas falhas, especialmente ligadas aos direitos humanos, o avô não se convence. E nem se importa muito com os tais direitos humanos, afinal, o que é importante de dizer, para ele, é sobre o bando de vagabundos do bolsa família ou as diversas formas de corrupção.

Como votar num partido que quer destruir a família; que rouba; como votar numa sapatão ? ele dizia, totalmente alterado.

A neta gostaria de dizer à ele que essa tal família, por ele defendida, há muito estava destruída. Mas não era por causa de vagabundos, de partido político ou homossexuais. Mas exatamente por pessoas como ele, os tais cidadãos de bem, que pregam tanto uma ordem, uma família tradicional, o respeito e, no entanto, são incapazes de amar os seus e suas diferenças, de olhar o próximo como alguém detentor de dignidade.

Momentos antes da discussão sobre política ele disse que ela era sua neta preferida, a número um.

Diria ele o mesmo se soubesse de sua orientação sexual ?