sábado, 5 de outubro de 2013

distâncias

Eu queria conversar com você.
Queria saber o que dizer e, nos momentos inesperados, provocar risos.
Mas uma hora o assunto acaba e nós ficamos ali, nos silêncios longos. Passam mil coisas na minha cabeça.
Eu queria tanto que na sua passasse também. Deve passar. A insegurança é parceira de todos.
Os corpos estão bem próximos, mas, ainda assim, há um medo de agir, de ser excessivo, de se expor.
O medo está presente e junto com ele uma louca vontade de se expor, de arriscar, de não sentir culpa ou vergonha. De fazer tudo que dá na telha, ao contrário do que o bom senso manda.
Vou dormir pensando: " deveria ter falado com você ?"
Espero que logo você me responda.
E que a proximidade não seja só de corpos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Da amizade.

Olhei nos teus olhos
e vi resignação e medo.
Ao te fitar com mais cuidado,
pude ver,
eram olhos-espelhos.
Já não sabia quais olhos via.
Até achei que teus olhos eram castanhos,
e os meus, verdes.

Encontrávamos em nossos olhos
aquela tristeza companheira.
Sentava-me ao teu lado e,
juntos, dizíamos:
We are broken, but we are the top.

É a arte de ser divertido, dizia você.

Nesse instante,
a vida não parecia tão solitária.

domingo, 1 de setembro de 2013

Inanição

Quando diziam que coração dói por amor, eu achava que era metáfora, exagero de pessoas desiludidas. Eu me apaixonava e até sentia algum furor, as mãos ficavam trêmulas e frias, o estômago gelava, e com um olhar eu me entregava, assim, bem fácil, numa bandeja. Mas imagina, como pode, doer o coração ?
Agora, sei dizer como isso é possível. Vive um bicho dentro do meu peito, e ele só faz pesar meu coração. Vem logo pro meu lado, pois, só quando eu matar a fome do teu beijo, esse bicho morrerá de inanição. E eu voltarei a dizer, como pode, doer o coração ?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Qualquer tentativa

Estava indo para casa. Era uma tarde ensolarada e gostosa. Apesar da tranquilidade do dia e da cidade, quase sem universitários, a minha cabeça estava a mil. Pensava sobre o passado e o futuro, fazia projeções com as coisas que eu gostaria que tivessem acontecido e que acontecessem. Enquanto andava e pensava na vida profissional e pessoal, haviam várias crianças brincando no parquinho da creche.
Fiquei observando as que brincavam numa roda e nem me dei conta da garota, de uns 4 anos, que estava sentada no topo do escorregador. Ela me olhava com olhos atentos e eu nem tinha me dado conta. Quando nossos olhares se cruzaram fiquei abalada. Ela sorria e acenou com a mão para mim. Instantaneamente, tudo que pensava desapareceu de minha cabeça. Só soube sorrir e acenar de volta. Em seguida ela escorregou. Eu, encantada, fiquei olhando pra trás, ela continuou a brincar.
Pequena garota que eu, provavelmente, nunca mais verei, obrigada por ter me olhado com tanta graciosidade, e ter feito com que eu percebesse que as coisas mais lindas acontecem, e que elas apenas esperam um olhar atento. Percebi que preciso deixar de viver dentro de minha cabeça e autorizar a vida, para que ela me surpreenda.
 Foi o sorriso mais doce e o olhar mais encantador que recebi nos últimos tempos.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

[v]ir

O tempo passa, pensamos em muitas coisas, amadurecemos, ganhamos e perdemos. Isso acontece na vida de qualquer um. A gente cresce. a gente teme. a gente agente. todo dia a gente levanta e vai pra algum lugar. ou fica na cama.dormindo. tudo poderia acontecer lá fora. mas você escolhe ficar deitado. você saí, e parece que nada acontece também. e quando acontece, não parece ser bom.