É tarde, eu sentada na cama tendo o sol, que ilumina meus escritos, por testemunha. Como no famoso livro que descreve a trajetória do talentoso Ripley. A diferença é que não há crime algum, ao menos, por enquanto.
Estava buscando inspiração, mas acho que inspiração vem, é um movimento, assim como a respiração. Toma posse do corpo e expressa.
"É o pau, é a pedra" mas há o que, além disso ?
Como um sonho de valsa e digo ... digo nada, penso em tudo, lambo os dedos e por fim, escrevo:
Dentro deste quarto os dias são longos, quase entediantes. A janela está escancarada, mas suas grades cumprem sua função. Eu estou presa aqui dentro, você talvez esteja preso lá fora. E o mesmo sol nos ilumina, mas para mim, as grades fazem com que o sol também esteja preso. Você poderia dizer para que eu saísse desse quarto, que por ser tão iluminado, está cheio de sombras. Se eu ao menos te conhecesse, se você soubesse que eu existo. Falar para alguém que não se conhece e que nem sabe que você existe parece loucura. E talvez seja só isso, loucura. Ou então, um pouco de clichê.
Você está andando pelas ruas, e eu, me revirando na cama. Mas, por um momento, sinto nossos pensamentos se cruzarem. Aí reside toda a mágica, porque neste instante você sente a mesma coisa que eu. Primeiro sorrimos, com um semblante de delírio. Afinal, é assustadoramente maravilhoso.
Talvez, semana que vem, te encontre no cruzamento daquela movimentada esquina. Mas isso é pra semana que vem. Agora fico em silêncio, para sentir e para que sintas.
Voltamos a sorrir. E nesse momento, nos amamos.
Isso me abraçou.
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