sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Qualquer tentativa

Estava indo para casa. Era uma tarde ensolarada e gostosa. Apesar da tranquilidade do dia e da cidade, quase sem universitários, a minha cabeça estava a mil. Pensava sobre o passado e o futuro, fazia projeções com as coisas que eu gostaria que tivessem acontecido e que acontecessem. Enquanto andava e pensava na vida profissional e pessoal, haviam várias crianças brincando no parquinho da creche.
Fiquei observando as que brincavam numa roda e nem me dei conta da garota, de uns 4 anos, que estava sentada no topo do escorregador. Ela me olhava com olhos atentos e eu nem tinha me dado conta. Quando nossos olhares se cruzaram fiquei abalada. Ela sorria e acenou com a mão para mim. Instantaneamente, tudo que pensava desapareceu de minha cabeça. Só soube sorrir e acenar de volta. Em seguida ela escorregou. Eu, encantada, fiquei olhando pra trás, ela continuou a brincar.
Pequena garota que eu, provavelmente, nunca mais verei, obrigada por ter me olhado com tanta graciosidade, e ter feito com que eu percebesse que as coisas mais lindas acontecem, e que elas apenas esperam um olhar atento. Percebi que preciso deixar de viver dentro de minha cabeça e autorizar a vida, para que ela me surpreenda.
 Foi o sorriso mais doce e o olhar mais encantador que recebi nos últimos tempos.

Um comentário:

  1. O escorregar da criança foi, despropositalmente, talvez a maior lição do momento. ;)

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